O budismo japonês é difícil de definir

Hoje, a maioria dos japoneses não se considera religiosa, mas muitos seguem práticas culturais que têm origem no budismo e no xintoísmo.

O budismo japonês se concentra, em grande parte, em manter as tradições dos antepassados. Para muitos japoneses, o envolvimento ativo com o budismo se resume a seguir costumes como honrar diariamente os ancestrais no altar da família (a maioria das casas possui um) e participar de funerais quando familiares morrem. Geralmente, a maior parte das responsabilidades relacionadas a essas tradições fica a cargo de um único membro que representa a família, muitas vezes o irmão mais velho ou sua esposa.

Embora seja uma religião importante no país, a maioria dos japoneses não consegue explicar exatamente no que acredita. As influências em sua cosmovisão vêm não apenas do budismo, mas também do confucionismo e do xintoísmo, e separar claramente esses três elementos é quase impossível.

Ainda assim, compreender um pouco da influência do budismo no Japão é útil ao pensarmos em como orar por esse país.

A data tradicional da introdução do budismo no Japão, vindo do continente, é o ano 552 d.C. Quando chegou, o xintoísmo e o animismo já estavam profundamente enraizados no país, mas o budismo tende a reunir religiões nativas sob seu amplo “guarda-chuva”. Assim, ele domina e integra estruturas de crença locais, mas não as elimina nem as destrói.

O budismo, como religião organizada, foi promovido pelas autoridades japonesas para erradicar o cristianismo durante o período Edo de isolamento nacional (1639–1854). As famílias eram obrigadas a se registrar no templo local para provar que não tinham ligação com o cristianismo. Ser um japonês patriota passou a estar intrinsecamente ligado a ser budista. Ser cristão era considerado uma traição à nação, um crime punível com a morte. A maioria da população obedecia às regras para evitar problemas.

Este trecho de Daughters of the Samurai (um romance histórico bem pesquisado, de Janice P. Nimura, 2015) ilustra como a sociedade japonesa era restritiva quando suas fronteiras foram abertas no século XIX:

“Nossos historiadores nos orientam a obedecer aos princípios, a seguir os passos de nossos antepassados, a não mudar nada neles”, disse um alto funcionário em Edo a Henry Heusken, secretário do novo consulado americano. “Se você fizer isso, prosperará; se mudar qualquer coisa, entrará em decadência. Isso é tão forte que, se seus antepassados lhe ordenarem seguir um caminho mais longo para chegar a um determinado lugar, mesmo que você descubra um caminho direto, não poderá segui-lo. Deve sempre seguir o caminho de seus antepassados.”

Mais de um século e meio depois, o Japão desfruta de plena liberdade religiosa, mas ainda existem muitos vestígios dessa forte adesão às tradições dos antepassados. A participação ativa no budismo aumentou e diminuiu ao longo dos séculos, mas, ainda hoje, há um forte senso de que ser japonês é participar dessas tradições.

Embora poucos realmente compreendam o que o budismo ensina, o pensamento budista, apoiado pela filosofia confucionista e pelo animismo xintoísta, permeia a mentalidade da maioria dos japoneses, estejam eles conscientes disso ou não.

Por um missionário de OMF International